Identidade da Vocação consagrada e religiosa na Igreja
    (Dimas Pires e Diácono Custodio, Comunidade Aliança de Misericórdia)


 

 

O carisma da vida religiosa está orientado também para  o mundo. É por causa do mundo. Demonstra o contraste, não é fuga, mas compromisso.A vocação religiosa é assumida  por homens e mulheres que foram chamados a testemunhar Jesus Cristo de uma maneira radical. É a entrega da própria vida a Deus. Essa vocação existe desde o início do Cristianismo: vida eremítica, monástica e religiosa. Nesses dois mil anos de história surgiram inúmeras ordens, congregações, institutos, sociedades de vida apostólica. Os religiosos vivem: como testemunha radical de Jesus Cristo, como sinal visível de Cristo libertador, a total disponibilidade a Deus, à Igreja e aos irmãos e irmãs, a total partilha dos bens, o amor sem exclusividades, a  consagração a um carisma específico, numa comunidade fraterna, a dimensão profética no meio da sociedade, assumem uma missão específica. Um religioso vive em primeiro lugar a sua consagração nos votos, depois, por carisma congregacional, por vocação e necessidade da Igreja, se ordena padre.



OS VOTOS



O carisma da Vida Religiosa é um dom para Igreja e um sinal para o mundo. Não é fuga de uma realidade, mas compromisso com o mundo. Enfatiza o contraste do Evangelho com a sociedade materialista.Os votos são como que sinais visualizadores de uma realidade futura como sonho, mas presente como necessidade. Não se pode mergulhar naquilo que a sociedade apresenta como modelo. Seríamos medíocres se não tivéssemos a coragem de buscar perspectivas novas. De que valeria o esforço de anos vividos, de aperfeiçoamento contínuo, de ideais sonhados, se não tivéssemos certeza de que isso tudo está mergulhado no coração misericordioso do Pai, enxertado na árvore da vida, que é o Cristo e alicerçado pela força vibrante e sempre presente
do Espírito Santificador. O voto assumido é sinal visualizador do Reino presente. Sinal sempre profético e nunca mesclado das coisas "do mundo". O voto é para os homens e mulheres que o contemplam, sinal de que existe alguma coisa muito maior que simples realidades terrenas. Sinal mergulhado no Cristo histórico, atualizado no Cristo vivo e eucarístico presente em todas as comunidades e que aponta as realidades vindouras do Reino já iniciado. O voto é sinal de que a vida tem sentido para todos.Numa sociedade que privilegia o poder, o(a) religioso(a) responde com a obediência. O voto de obediência é um sinal onde homens e mulheres colocam-se numa atitude de dependência. Dependência de Deus, são porta-vozes e braços de Deus. É a experiência que sentiu o profeta Amós: a vocação é descobrir e reconhecer que o Senhor quer dispor da vida das pessoas para seus projetos. Tirou Amós do meio
do seu rebanho e enviou para proclamar a sua Palavra. O voto de obediência está ligado também à necessidade da Igreja, representada pela Congregação de origem do(a) religioso(a). Numa sociedade profundamente erotizada os religiosos vivem a castidade. O voto de castidade é a oferta oblativa da própria vida. É a entrega da força vital que é a sexualidade a uma causa nobre. Vive-se a castidade canalizando a energia fundamental para as obras proféticas geradoras de vida e de esperança nas comunidades cristãs. Hoje o amor é confundido com relacionamento  puramente sexual. Isto é a instrumentalização do amor e da força da sexualidade. A castidade no meio da sociedade erotizada é vista como sinal de contradição, sinal do Reino futuro. Outro aspecto muito marcante no mundo de hoje é o apego demasiado às coisas materiais, vive-se em um consumismo desenfreado. As pessoas valem por aquilo que elas têm e não por aquilo que são. Os religiosos para demonstrarem que o TER não é tudo na vida e sim apenas um
instrumento, fazem o voto de pobreza. Falar em viver a pobreza, sem ter nada em seu nome, sem buscar ambições, é um sinal profético de contraste para a sociedade capitalista que privilegia o dinheiro e o ter coisas. As pessoas não são coisas, elas não valem por aquilo que têm, mas, por aquilo que são.



OS CARISMAS



Outra característica importante na vida religiosa é o carisma. O carisma é um dom, uma graça, um presente, está relacionado diretamente com o ser da pessoa. É aquilo que ela é, é a ação de Deus na vida da pessoa. O carisma é a ação do Espírito Santo que potencia a pessoa para uma determinada missão. Os religiosos vivem um carisma específico, e deriva daí, a sua missão própria. Acostumamos ver os religiosos e religiosas, os irmãos, as irmãs, os padres ligado a uma congregação, à frente de grandes obras: nas escolas, hospitais, missões populares, em mosteiros e comunidades contemplativas e em tantos lugares. Essas são as obras. São frutos de um carisma especial. Cada congregação, instituto ou ordem tem um carisma específico a ser seguido, que um dia foi  inspirado pelo Espírito Santo e definido pelos seus fundadores.



NOVO PERFIL DA VIDA RELIGIOSA INSERIDA



A situação social continua excluindo os mais fracos. A opção pelos mais pobres e pela sua libertação, é um desafio para a Igreja e para a Vida Religiosa. É urgente criar novos jeitos de viver a Vida Religiosa no meio do povo das periferias e do campo. Na inserção é preciso adotar uma postura de compaixão, paciência, presença, modéstia, flexibilidade e criatividade. A Vida Religiosa Inserida é desafiada na tolerância e no cotidiano da vida dos excluídos. É uma graça do Espírito Santo, partilhar da vida dos últimos. Ama-se os pobres, não por serem pobres, mas por serem pessoas humanas, "Preferidas do Pai". Daí a gratuidade do amor.O religioso não se distingue pela sua ação, mas pela sua vida, onde convivem pessoas diferentes (idade, nação, personalidade) não se casam.
Querem viver o Evangelho de um modo especial. Vivem em comunidade. É uma forma profética de vida


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Vocação

Falamos muito de vocação. Quando dizemos que alguém tem vocação, afinal o que queremos dizer? A palavra vocação vem do verbo no latim "vocare" (chama?). Assim vocação significa chamado. É, pois, um chamado de Deus. Se há alguém que chama, deve haver outro que escuta que responde. A vida de todo ser humano é um dom de Deus. "Somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus" (Ef 2,10). Existimos, vivemos, pensamos, amamos, nos alegramos, sofremos, nos relacionamos, conquistamos nossa liberdade diante do mundo que nos cerca e diante de nós mesmos. Não somos uma existência lançada ao absurdo. Somos criaturas de Deus. Não existe homem que não seja convidado ou chamado por Deus a viver na liberdade, que possa conviver, servir a Deus através do relacionamento fraternal com os outros. Você é uma vocação. Você é um chamado Encontramos na Bíblia muitos chamados feitos por Deus: Abraão, Moisés, os profetas... Em todas as escolhas, encontramos: Deus chama diretamente, pela mediação de fatos e acontecimentos, ou pelas pessoas. Deus toma a Iniciativa de chamar. Escolhe livremente e permite total liberdade de resposta. Deus chama em vista de uma missão de serviço ao povo. Vocação é o encontro de duas liberdades:


A de Deus que chama.
A do Homem que responde

Podemos fazer uma distinção entre os chamados: vocação à existência, vocação humana, vocação cristã e vocação específica, uma sobrepondo-se à outra. Vocação à existência - À vida Foi o primeiro momento forte em que Deus manifestou todo o seu amor a cada um de nós. Deus nos amou e nos quis participantes de seu projeto de criação como coordenadores responsáveis por tudo o que existe. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. A vida é a grande vocação. Deus chama para a vida, e Jesus afirma que veio para que todos a tenham em abundância. (Jo 10,10) Vocação humana - Ser gente, ser pessoa Foi nos dada à condição da "liberdade dos filhos de Deus", inteligência e vontade. Estabelecemos uma comunhão com o Criador e, nessa atitude dialogai, somos pessoas. A pessoa aprende a conviver, a dialogar, enfim, a se relacionar. Todos têm direitos e deveres recíprocos. Infelizmente, a obra-prima do Criador anda muito desprezada: enquanto uns têm condições e oportunidades, outros vivem na miséria, sem condições básicas para ressaltar a dignidade com que foram constituídos. No mundo da exclusão acontece a "desumanização"'e pode-se perder a condição de pessoa humana. Vocação cristã - Vocação de filho, de batizado Todo batizado recebeu a graça de fazer parte do povo eleito por Deus, de sua Igreja. Através da vocação cristã, somos chamados à santidade, vocação à perfeição, recebendo a mesma fé pela justiça de Deus. Fomos, portanto, eleitos e chamados pessoalmente por Cristo para ser, como cristãos, testemunhas e seguidores do Mestre Jesus. Chamados â fé pelo batismo, a pessoa humana foi qualificada de outra forma. Assim todos fazem parte do "reino de sacerdotes, profetas e reis". (1 Pd 2,9)Toda pessoa batizada tornou-se um seguidor de Cristo, participante de uma comunidade de fé que pode ser chamada para participar da obra de Deus, como membro de sua Igreja, seguindo caminhos diferentes:Vocação laical (no matrimônio /no celibato / solteiro - apóstolo)Assim todo cristão solteiro ou casado, batizado em Cristo, tornando-' se membro da sua Igreja, é convocado a ser apóstolo, anunciador do Reino de Deus, exercendo funções temporais. O leigo vive na secularidade e exerce sua missão insubstituível nos ofícios e trabalhos deste mundo.Vocação ao ministério ordenado (diácono, padre e bispo)É uma vocação de carisma particular, é graça, mas passa pela mediação da Igreja particular, pois as vocações são destinadas à Igreja. Acontece num acompanhamento sistemático, amadurecendo as motivações reais da opção. O ministro ordenado preside e coordena os serviços da comunidade. Por intermédio dos sacramentos, celebra a presença de Deus no meio do seu povo. O presbítero é enviado a pastorear e animar a comunidade. Ele é o bom pastor que guia, alimenta, defende e conhece as ovelhas. "Isto exige humanidade, caráter íntegro e maduro, virtudes morais sólidas e personalidade madura".Vocação à vida consagrada (ser irmão religioso ou irmã religiosa / vida ativa ou contemplativa)O religioso é chamado a testemunhar Cristo de uma maneira radical, vivendo uma consagração total nos votos de pobreza, castidade e obediência. Com a pobreza, vivem mais livres dos bens temporais, tornando-se disponíveis para Deus, para a Igreja e para os irmãos. Com a castidade, vivem o amor sem exclusividade, sendo sinal do mundo l futuro que há de vir. Com a obediência, imitam a Cristo obediente e fiel à vontade do Pai.Textos bíblicos Mateus 25,14-30; João 14, 5 - 7. Leia estes textos com calma, um de cada vez, procurando trazê-los para a sua vida.Precisamos distinguir bem vocação de profissão, pois não são exatamente a mesma coisa. Veja o quadro abaixo e observe a distinção entre uma e outra:

 

Vocação


1. Aptidão ou escolha pessoal para exercer um trabalho

 1. Chamado de Deus para uma missão, que se origina na pessoa como reação-aspiração do ser
2. Preocupação principal: o "ter", o sustento da vida

2. Preocupação exclusiva: "o ser”, o amor e o serviço
3. Pode ser trocada

 3. É para sempre
4. É exercida em determinadas horas

4. São vividas 24 horas por dia
5. Tem remuneração

5. Não tem remuneração ou salário
6. Tem aposentadoria

 6. Não tem aposentadoria
7. Quando não é exercida, falta o necessário para viver

7. Vive da providência divina
8. Na profissão eu faço

 8. Ha vocação eu vivo

 

Profissão



A profissão dignifica a pessoa quando é exercida com amor, espírito de serviço e responsabilidade. A vocação vivida na fidelidade e na alegria confere ao exercício da profissão uma beleza particular, é o caminho de santidade.Vocação: Chave existencial para a vida feliz Vocação é um tema que polariza a reflexão e a prática pastoral da Igreja Católica. Ilumina-se ainda mais o sentido humanitário das profissões exercidas pêlos cristãos na sociedade. Isso já é uma inestimável contribuição à consciência social sobre o valor da vida como serviço aos irmãos.Acredito que Vocação é outra palavra para se dizer: felicidade. Toda pessoa é vocacionada a ver assim a sua vida: descobrir como ser feliz nela. Na Bíblia vocacionar é chamar. Uma chamada à espera de resposta. Uma chamada nominal. O nome individualiza e distingue. O nome torna alguém insubstituível como tal perante os outros. Fomos chamados e temos um nome. A primeira vocação é a existencial ou o chamado a viver. É pessoal e é comum. Eis aí o primeiro direito inalienável e irrevogável, a começar da concepção do feto no seio da mãe. Implica os demais direitos inerentes ao pleno desenvolvimento e à plena dignidade humana de qualquer pessoa: saúde, educação, comunhão em todos os bens da cultura.Toda pessoa é propensa a estar ciente do dom que é a sua vida. Percebe que precisa dar a ela um sentido único e pessoal. Descortina inúmeras possibilidades. Torna-se infinito o horizonte da existência terrena. A vida não é só a realidade física, biológica e orgânica. Ë vida acolhida, pensada e. produzida numa experiência pessoal irrenunciável e irrepetível. É a descoberta de si no crescimento, nas tendências e habilidades em servir. Ser útil. Por isso é triste ver alguém alienado, alheio, fechado em si e omisso quanto à responsabilidade em viver. E em construir de modo racional o seu "ser vivente com os outros". Alienar-se é cair num estado vegetativo ou ilusório. Tantas serão as frustrações e ilusões quantas as fugas e omissões! Um poeta brasileiro definiu num só versinho o que é viver em ilusões: "Quem passou pela vida em branca nuvem/ E em plácido repouso adormeceu/ Quem não sentiu o frio da desgraça/ Quem passou pela vida e não sofreu/ Foi espectro de homem não foi homem/ Só passou pela vida, não viveu".Outra fuga absurda é a revolta de quem diz "eu não pedi para nascer". A afirmação não é só ignorância. Revela uma personalidade alienada, inconsciente do seu valor maior: a vida!No íntimo do ser humano a vocação é resposta ao impulso interior, que faz alguém sair de si para se encontrar nos outros. Aí está, digamos assim, o DNA da sua felicidade. Este é o caminho e é a aventura que nos realizam como pessoas. Não é coisa fácil nem "branca nuvem" nem a ilusão de: "a gente vai levando essa vida". Curtir pode ser moda. Mas é o gatilho que dispara o consumismo inconseqüente, além da preguiça institucionalizada.A despreocupação com o amanhã ou com as dificuldades, apenas mascara a incompetência de lutar, de ser bom, de ser responsável. Enfim, de querer vencer! A propaganda seduz, mas não cria o sucesso. Ela tem um vício insanável: o dinheiro antes de tudo! Este jamais será garantia de felicidade vocacional. Em si mesma a vida é uma questão da fé!

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                                                    Paz e Bem!

                             Dimas Pires


 

 

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